Todo mês a empresa paga imposto, mas poucas pessoas param para responder uma pergunta simples: o que é imposto, afinal, e de onde sai o número que aparece na guia? Entender isso deixou de ser curiosidade e virou necessidade, porque a partir de 2026 a forma de calcular começa a mudar com a chegada do IBS e da CBS.
A boa notícia é que 2026 funciona como ano de ensaio. Os tributos atuais continuam valendo e o impacto financeiro tende a ser neutro. Mas o cálculo passa a exigir ajustes práticos na nota fiscal e no sistema — e quem entende a lógica agora chega em 2027 sem sustos.
O que é imposto
Imposto é um tipo de tributo pago ao governo sem uma contrapartida direta e específica. Isso é o que o diferencia de uma taxa (que remunera um serviço público específico, como a coleta de lixo) e de uma contribuição de melhoria (cobrada quando uma obra pública valoriza o seu imóvel). Quando você paga imposto, não está comprando um serviço em troca: o dinheiro entra no caixa geral do Estado para financiar saúde, educação, segurança e a máquina pública como um todo.
É por isso que ninguém recebe um serviço personalizado por pagar mais ICMS ou mais IRPJ. O imposto sustenta o funcionamento coletivo do Estado, e a contrapartida chega diluída em serviços que atendem a todos.
Os principais tipos de imposto
Uma forma simples de organizar os impostos é pela esfera de governo que os cobra:
- Federais: IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IPI e II (imposto de importação).
- Estaduais: ICMS, IPVA e ITCMD (herança e doação).
- Municipais: ISS, IPTU e ITBI (transmissão de imóveis).
Há também outras classificações úteis. Quanto à forma de cobrança, os impostos podem ser diretos (incidem sobre quem de fato arca com o custo, como o IRPJ sobre o lucro) ou indiretos (embutidos no preço de produtos e serviços, como ICMS, ISS e IPI, pagos pelo consumidor no final). E quanto ao que tributam, incidem sobre o consumo, sobre a renda ou sobre o patrimônio.
Como o imposto é calculado hoje
Na base de tudo existe uma conta só: base de cálculo multiplicada por alíquota. A base de cálculo é o valor sobre o qual o imposto incide (o faturamento, o lucro, o valor da mercadoria) e a alíquota é o percentual aplicado sobre essa base. Um ICMS de 18% sobre uma venda de mil reais resulta, na conta mais simples, em 180 reais. A dificuldade real está nos detalhes de como essa base é montada.
Dois desses detalhes fazem grande diferença no valor final:
Cumulativo x não cumulativo
No regime cumulativo, o imposto incide em cada etapa da cadeia sem desconto do que já foi pago antes — ele se acumula. No não cumulativo, a empresa aproveita créditos do imposto pago nas compras e abate do que deve nas vendas, tributando apenas o valor que ela de fato agregou. É a diferença entre pagar sobre tudo de novo a cada etapa ou pagar só sobre a sua parte.
Por dentro x por fora
Quando o imposto é calculado por fora, ele é somado ao preço e fica visível como um acréscimo. Quando é por dentro, ele já está embutido no próprio preço e compõe a sua própria base de cálculo — o imposto incide sobre um valor que já inclui o imposto. O ICMS é o exemplo clássico de tributo cobrado por dentro, o que faz a alíquota efetiva ser um pouco maior do que o percentual nominal sugere.
O que muda no cálculo em 2026
Em 2026, a reforma tributária entra em fase de teste. Começam a ser cobrados, em caráter experimental, dois novos tributos: a CBS (federal), com alíquota de 0,9%, e o IBS (estadual e municipal), com 0,1% — um total de 1% sobre as operações. O percentual é propositalmente baixo: serve para calibrar o sistema.
E o caixa quase não sente: nesse período de teste, o valor pago de CBS e IBS pode ser compensado com o PIS e a COFINS que a empresa já recolhe. Na prática, o impacto financeiro tende a ser neutro. O 1% existe para obrigar empresas, sistemas e o próprio fisco a operar o novo modelo antes que a cobrança valha para valer.
Por isso, o impacto operacional é imediato mesmo com o financeiro neutro. Para gerar o cálculo correto, a empresa precisa ajustar:
- A emissão de notas fiscais, para destacar os novos campos de CBS e IBS.
- O ERP e o sistema fiscal, para calcular, registrar e apurar os novos tributos em paralelo aos atuais.
- Os cadastros de produtos e serviços, com a classificação exigida pelo novo modelo.
Vale reforçar: em 2026, todos os tributos atuais continuam valendo normalmente — PIS, COFINS, ICMS, ISS, IPI e os demais. Os regimes atuais também seguem como estão, seja Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real. O novo modelo roda por cima do antigo, como uma camada de teste sobreposta.
Quando a mudança fica de fato pesada
A transição é gradual e vai muito além de 2026. A extinção do PIS e da COFINS, com a cobrança plena da CBS, começa a partir de 2027. A substituição do ICMS e do ISS pelo IBS acontece aos poucos, entre 2029 e 2032. O sistema novo só fica completo em 2033. Ou seja: 2026 é o ensaio de um processo que se estende por vários anos.
O que a sua empresa deve fazer agora
- Confirmar que o sistema de emissão de notas e o ERP estão preparados para os campos de CBS e IBS.
- Revisar os cadastros fiscais de produtos e serviços com a nova classificação.
- Mapear o que a empresa compra tributado, para entender os créditos que vai aproveitar no modelo novo.
- Treinar o time financeiro e fiscal para conviver com os dois sistemas ao mesmo tempo durante a transição.
- Acompanhar as apurações de 2026 para garantir que a compensação com PIS e COFINS está sendo feita corretamente.
O risco de 2026 não é pagar imposto novo demais. É chegar em 2027 com o sistema, o cadastro e o preço despreparados para a cobrança cheia.
Entender o que é imposto e como ele é calculado deixa a transição menos abstrata: no fundo, continua sendo base de cálculo vezes alíquota, com regras que estão sendo reescritas ao longo dos próximos anos. Em 2026, o desafio é operacional, e é o melhor momento para ajustar processos sem o peso da cobrança plena.
Atravessar essa transição com planejamento tributário é o que a JRX faz junto com a sua empresa: adequação de sistema e cadastro, conferência das compensações no ano-teste e simulação do impacto das alíquotas cheias no seu preço e na sua margem. Quem chega preparado em 2027 começou a se mexer no ano-teste, com número na mesa.
Serviço relacionado
Planejamento tributário
Revisão de regime e de apuração feita periodicamente — não só na abertura da empresa.
Ver Planejamento tributário