Quando vale a pena Lucro Real é uma dúvida que surge quando a empresa começa a crescer e o regime atual já não parece tão vantajoso.
O que funcionava no início pode deixar de fazer sentido com aumento de faturamento, folha ou estrutura de custos. E, em muitos casos, a empresa continua pagando imposto sem nunca ter feito uma simulação comparativa.
O Lucro Real não é um regime mais caro ou mais barato por definição. Ele é mais eficiente em cenários específicos.
Neste artigo, você vai entender quando realmente compensa migrar para o Lucro Real e quais pontos precisam ser analisados antes de tomar essa decisão.
O que é o Lucro Real?
O Lucro Real é um regime tributário em que os impostos federais são calculados com base no lucro efetivamente apurado pela empresa.
Diferente do Lucro Presumido, onde existe uma margem pré-fixada para cálculo do imposto, no Lucro Real a tributação incide sobre o resultado contábil ajustado. Isso significa que a empresa paga imposto sobre o lucro que realmente obteve.
Os principais tributos apurados nesse regime são:
- IRPJ
- CSLL
- PIS
- COFINS
Outro ponto importante é que o Lucro Real exige escrituração contábil completa e controle rigoroso de receitas, despesas e ajustes fiscais.
A apuração pode ser trimestral ou anual, com recolhimentos mensais por estimativa. Além disso, empresas com faturamento superior a R$ 78 milhões ao ano e algumas atividades específicas são obrigadas a adotar esse regime.
O Lucro Real é mais técnico e exige organização, mas pode ser bastante eficiente quando a estrutura da empresa está alinhada com suas regras.
Quando optar pelo Lucro Real?
O Lucro Real vale a pena quando a empresa paga imposto sobre uma margem presumida maior do que o lucro que realmente tem.
Esse é o primeiro sinal de alerta.
No Lucro Presumido, por exemplo, o governo define uma margem estimada para cálculo do IRPJ e da CSLL. Se a sua margem real for menor que essa estimativa, você pode estar pagando imposto acima do necessário.
Veja os principais cenários em que migrar pode fazer sentido:
Quando a margem de lucro é baixa
Empresas com margem apertada tendem a se beneficiar do Lucro Real, porque o imposto incide sobre o lucro efetivo e não sobre uma presunção fixa.
Se o lucro real for menor que o presumido, a carga tributária pode cair.
Quando há muitas despesas operacionais
Empresas com custos relevantes, como folha alta, aluguel, insumos ou estrutura operacional robusta, podem reduzir o lucro tributável ao registrar corretamente essas despesas.
Quanto maior a despesa dedutível, maior pode ser a eficiência do regime.
Quando existe potencial de crédito de PIS e COFINS
No Lucro Real, o PIS e a COFINS funcionam no regime não cumulativo, permitindo o aproveitamento de créditos sobre insumos e alguns custos.
Indústrias, empresas de tecnologia e negócios com compras recorrentes de insumos costumam se beneficiar desse modelo.
Quando a empresa teve prejuízo fiscal
No Lucro Real é possível compensar prejuízos fiscais de anos anteriores com lucros futuros, respeitando limites legais. Isso pode reduzir significativamente o imposto em períodos de recuperação.
Quando há busca por governança e investimento
Empresas que pretendem captar recursos, passar por auditoria ou estruturar crescimento costumam precisar de contabilidade mais detalhada e transparente. O Lucro Real exige esse nível de controle.
Migrar para o Lucro Real não é uma decisão automática. É uma decisão técnica que precisa ser simulada com base nos números da própria empresa.
A pergunta correta não é “qual regime é melhor?”, mas sim “qual regime faz mais sentido para o meu cenário atual?”.
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Como funciona a tributação no Lucro Real?
No Lucro Real, os impostos federais são calculados com base no lucro contábil da empresa, após ajustes fiscais previstos na legislação.
Funciona assim: a empresa apura seu resultado contábil, aplica os ajustes exigidos pela lei e, sobre esse lucro final, calcula os tributos.
Os principais impostos são:
IRPJ
- 15% sobre o lucro apurado
- Adicional de 10% sobre a parcela que ultrapassar R$ 20 mil por mês
CSLL
- 9% sobre o lucro apurado
Ou seja, quanto maior o lucro, maior será o imposto. Se o lucro for menor, o imposto também será menor.
Além disso, há o PIS e a COFINS no regime não cumulativo.
PIS e COFINS
- PIS com alíquota de 1,65%
- COFINS com alíquota de 7,6%
A diferença aqui é que a empresa pode aproveitar créditos sobre insumos, despesas e alguns custos operacionais. Isso significa que parte do que é pago pode ser compensado.
Esse ponto costuma ser decisivo para empresas com alto volume de compras ou despesas operacionais.
Outro detalhe importante é que o Lucro Real exige:
- Escrituração contábil completa
- Entregas acessórias como ECD e ECF
- Controle rigoroso de receitas e despesas
Por isso, é um regime que exige organização e acompanhamento técnico constante.
A complexidade é maior. Mas, quando bem estruturado, pode ser mais eficiente do que outros regimes.
Vantagens do Lucro Real
O Lucro Real pode ser altamente vantajoso quando a empresa está no regime adequado e possui organização contábil estruturada. Ele não é automaticamente melhor, mas em determinados cenários pode gerar economia relevante e maior eficiência tributária.
Veja os principais benefícios:
Tributação sobre o lucro efetivo
A empresa paga imposto sobre o lucro real apurado, e não sobre uma margem presumida.
Se a margem for menor que a estimada no Lucro Presumido, a carga tributária pode ser reduzida.
Compensação de prejuízo fiscal
Caso a empresa tenha prejuízo em determinado período, é possível compensar esse valor com lucros futuros, respeitando os limites legais.
Isso é especialmente importante para empresas em fase de crescimento ou que enfrentaram períodos de oscilação.
Aproveitamento de créditos de PIS e COFINS
No regime não cumulativo, é possível gerar créditos sobre insumos e determinadas despesas.
Empresas industriais, de tecnologia ou com alto volume de custos operacionais costumam se beneficiar desse modelo.
Maior aderência à realidade financeira
Como o imposto acompanha o resultado real da empresa, o regime tende a ser mais justo em operações com margem variável.
Isso evita distorções comuns em regimes presumidos.
Melhor estrutura para crescimento e investimento
O Lucro Real exige contabilidade completa e maior controle financeiro. Para empresas que buscam investidores, auditoria ou expansão estruturada, isso pode ser um diferencial importante.
A governança contábil mais robusta transmite segurança.
Quando o regime é escolhido com base em simulação e planejamento, ele deixa de ser complexo e passa a ser estratégico.
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Desvantagens do Lucro Real
Embora o Lucro Real possa ser vantajoso em muitos cenários, ele também exige mais estrutura e controle. Por isso, a decisão precisa ser técnica.
Veja os principais pontos de atenção.
Maior complexidade contábil
O Lucro Real exige escrituração completa, controle rigoroso de receitas e despesas e ajustes fiscais detalhados.
Não é um regime que funciona bem com contabilidade desorganizada ou baseada apenas em extrato bancário.
Mais obrigações acessórias
Empresas nesse regime precisam entregar declarações mais robustas, como ECD e ECF, além de manter controles fiscais consistentes.
Isso aumenta a responsabilidade técnica da contabilidade.
Custo operacional mais alto
Para sustentar o Lucro Real, a empresa precisa de organização contábil estruturada e acompanhamento constante. Isso pode elevar o custo da assessoria contábil.
No entanto, esse custo só compensa quando há planejamento e eficiência tributária envolvida.
Maior risco se mal estruturado
Se a empresa não tem controle adequado de despesas, classificação contábil correta ou apuração fiscal bem feita, o risco de erro aumenta.
O regime em si não é arriscado. O problema é operá-lo sem organização.
Exige disciplina financeira
Empresas que não registram corretamente despesas, misturam contas pessoais com empresariais ou não acompanham resultado mensalmente podem ter dificuldade em sustentar esse modelo.
O Lucro Real funciona melhor em empresas que já possuem maturidade de gestão.
Conclusão
O Lucro Real vale a pena quando a empresa tem margem menor que a presumida, muitas despesas dedutíveis ou potencial de créditos fiscais.
Ele pode reduzir a carga tributária, mas exige organização e controle contábil rigoroso.
A decisão não deve ser baseada em opinião, e sim em simulação.
Se sua empresa está crescendo ou nunca revisou o regime tributário de forma técnica, vale fazer uma análise comparativa antes de decidir.
Regime tributário não é detalhe. É estratégia que impacta diretamente o lucro.






