Como calcular preço de venda: markup e margem de contribuição

Como calcular preço de venda: markup e margem de contribuição

Como calcular preço de venda do jeito certo é, basicamente, garantir que cada venda pague todos os custos, as despesas, os impostos e ainda deixe lucro de verdade. Porque vamos ser sinceros: vender muito com preço errado é a forma mais rápida de trabalhar dobrado e terminar o mês no vermelho.

Então, neste conteúdo, eu vou te mostrar os métodos mais usados para formar preço — markup, margem de contribuição e um caminho bem prático para precificar serviços (sem chutômetro e sem “copiar o concorrente”). E no final, ainda deixo um checklist rápido do que quase todo mundo esquece na conta, tipo taxas, comissões e frete.

Vamos lá? Se você acertar o preço, o resto do negócio começa a respirar melhor.

O que entra no cálculo do preço de venda 

Preço de venda não é “custo + um lucro que eu acho legal”.

Preço de venda é a conta que precisa pagar:

  • Custo do produto/serviço (matéria-prima, mercadoria, horas de execução)
  • Custos e despesas variáveis (taxa do cartão, comissão, frete por pedido, embalagem, marketplace)
  • Despesas fixas (aluguel, salários, contador, sistema, marketing, internet)
  • Impostos
  • Lucro

Se você ignora qualquer um desses itens, adivinha?  Você continua vendendo… só que o dinheiro sai do seu bolso.

Custos x despesas 

  • Custo: o que “nasce junto” com o produto/serviço (sem isso não existe entrega).
  • Despesa: o que mantém a empresa funcionando (mesmo quando não vende).

Na prática, os dois precisam entrar na conta. 

Checklist do que mais esquecem (e que detona o lucro)

  • Taxa do cartão + antecipação
  • Comissão de vendedor
  • Frete + devolução/troca
  • Embalagem / etiqueta / perda
  • Retrabalho (principalmente em serviço)
  • Ociosidade (mês fraco existe)

Veja também: Capital de giro: o que é, para que serve e como manter sua empresa saudável

Como calcular preço de venda com Markup 

O markup é o método mais usado porque é prático: você pega o custo do produto e aplica um índice que já considera despesas, impostos e lucro.

Funciona bem quando:

  • Você tem custo bem definido
  • Você vende muitos itens e precisa de um padrão
  • Seus percentuais não mudam tanto entre canais (loja, WhatsApp, marketplace)

Como montar o markup

Você vai precisar definir percentuais médios de:

  • Impostos
  • Taxas/comissões variáveis
  • Despesas fixas (rateadas)
  • Lucro desejado

Exemplo bem real: Você quer precificar um produto com custo de R$ 50.

E tem:

  • Impostos: 8%
  • Taxas/comissão: 10%
  • Despesas fixas (rateio): 12%
  • Lucro: 20%

Somando percentuais: 8 + 10 + 12 + 20 = 50%

Agora vem o pulo do gato: esse 50% é “parte do preço”, não do custo. Então você calcula o divisor:

Divisor = 1 – 0,50 = 0,50

Preço de venda = Custo / Divisor
Preço de venda = 50 / 0,50 = R$ 100

Pronto. Seu preço de venda é R$ 100.

Se você vender por R$ 80 porque “o concorrente cobra isso”, você já sabe: alguém vai pagar essa diferença.

Veja também: Contabilidade para startup Saas

Como calcular preço de venda usando margem de contribuição

Margem de contribuição é o que sobra de cada venda depois de pagar tudo que é variável.

Ou seja: é o dinheiro que “contribui” para pagar os fixos e gerar lucro.

Por que isso é tão importante?

Porque com margem de contribuição você consegue:

  • saber se promoção é viável ou suicídio
  • entender quais produtos/serviços valem mais a pena
  • enxergar o ponto de equilíbrio (quanto precisa vender pra zerar o mês)

Como calcular 

Você vende por R$ 100.

Variáveis:

  • custo do produto: R$ 50
  • taxa + comissão + frete médio: R$ 15
  • impostos: R$ 8

Total variável: R$ 73

Margem de contribuição = 100 – 73 = R$ 27

Ou seja: cada venda coloca R$ 27 na “caixinha” pra pagar despesas fixas e lucro.

A partir daí, você consegue responder perguntas de dono:

  • “Se eu baixar o preço em 10%, ainda sobra margem?”
  • “Esse produto dá volume, mas dá dinheiro?”
  • “Qual item eu devo empurrar mais?”

Veja também: Pró-labore: o que é, quando é obrigatório e como definir o valor correto

Como calcular preço de venda de serviços 

Como calcular preço de venda de serviços 

Em serviço, o maior erro é precificar só pelo tempo “principal” e esquecer:

  • reunião
  • planejamento
  • retrabalho
  • suporte
  • ociosidade

Beleza? Hora parada também custa.

Passo a passo prático

  1. Some seus custos fixos do mês (equipe, aluguel, sistemas, contador, etc.)
  2. Defina quantas horas vendáveis você tem (capacidade real, sem fantasia)
  3. Ache seu custo por hora
  4. Some custos variáveis do serviço (deslocamento, comissão, ferramenta extra, impostos)
  5. Aplique margem e lucro

Exemplo rápido

  • Custos fixos: R$ 20.000/mês
  • Horas vendáveis (realistas): 200 horas/mês
  • Custo por hora = 20.000 / 200 = R$ 100/h

Se um serviço leva 5 horas “de verdade” (com tudo incluso), o custo base é:

  • 5 × 100 = R$ 500

Aí você adiciona impostos/variáveis e lucro.

O segredo aqui é simples: capacidade real + custo real.  Se você chuta isso, você chuta seu preço. E aí vira loteria.

Erros mais comuns na precificação (e como evitar)

  • Não colocar impostos no preço (aí o lucro evapora)
  • Não separar canal de venda (loja x marketplace x WhatsApp têm taxas diferentes)
  • Ratear fixo de qualquer jeito (ou nem ratear)
  • Copiar concorrente sem saber sua margem
  • Ignorar devoluções, perdas e retrabalho
  • Confundir faturamento com lucro (essa aqui é campeã)

Se você quer evitar isso com mais segurança, o caminho é ter controle de números: custos, DRE, margem, fluxo de caixa.

Se você está percebendo que a dificuldade não é “fazer a conta”, e sim ter os números organizados (custos, taxas, imposto, margem, DRE), dois caminhos fazem sentido:

BPO Financeiro: pra organizar rotina financeira, conciliação, contas, relatórios e base confiável de números.

CFO as a Service: pra olhar margem, mix, estratégia de preço, ponto de equilíbrio e decisão de dono (sem achismo).