O regime tributário para startup é uma das decisões mais importantes — e mais negligenciadas — pelos fundadores nas fases pré-seed, seed e Série A. E eu sei: no começo, a prioridade é validar o produto, tracionar e captar investimento. Mas a escolha errada aqui pode custar caixa, travar uma rodada ou até gerar riscos fiscais que atrapalham o crescimento lá na frente.
Vamos direto ao ponto…
Cada estágio de uma startup tem necessidades completamente diferentes. No pré-seed, o foco é economizar e simplificar. No seed, a folha começa a crescer e o Fator R muda completamente o jogo. E quando chega a Série A, entram due diligence, investidores pessoa jurídica e estruturas societárias que simplesmente não cabem em alguns regimes.
Enfim… escolher o regime tributário certo não é sobre pagar menos imposto apenas. É sobre garantir que sua startup esteja estruturada para escalar sem surpresas — e sem virar refém da contabilidade errada.
Neste artigo, vou te mostrar, de forma direta e prática, qual regime tende a funcionar melhor para cada fase. Sem juridiquês, sem enrolação. E com exemplos claros para você entender o “porquê” de cada decisão. Vamos lá?
O que é o regime tributário para startup?
Vamos contextualizar rapidamente…
O regime tributário para startup é a regra que define como sua empresa vai pagar impostos, quanto vai pagar e quais obrigações precisa cumprir. No Brasil, temos três opções: Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real.
Na prática, essa escolha determina:
- Quanto do seu caixa vai embora em impostos.
- Se você paga imposto sobre faturamento ou sobre lucro.
- O nível de burocracia (e risco fiscal) que vai enfrentar.
- Se sua estrutura societária permite a entrada de investidores.
- Como a startup chega em uma due diligence sem sustos.
E aqui vem um ponto que ninguém conta, mas faz total diferença no ecossistema…
O melhor regime não é sobre tamanho. É sobre o seu modelo de negócio, margem, captable e estágio de crescimento.
Por exemplo:
- No pré-seed, a empresa costuma ter baixo faturamento, burn alto e pouca folha.
- No seed, a equipe cresce e o Fator R começa a influenciar alíquotas.
- Na Série A, o investidor PJ entra no captable — e alguns regimes simplesmente deixam de ser permitidos.
Ou seja:
O regime que funciona no começo pode virar uma dor de cabeça meses depois. Por isso essa decisão precisa acompanhar o ritmo da startup, e não o contrário.
Agora que você entendeu o impacto, vamos olhar para cada regime com lupa — mas de um jeito simples e sem enrolação.
Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real: como cada regime funciona na prática
Antes de escolher o melhor regime para cada estágio da sua startup, você precisa entender como cada opção funciona no dia a dia. E aqui é onde muitos fundadores se confundem — porque na teoria tudo parece simples, mas na prática cada regime mexe no caixa de um jeito completamente diferente.
Vamos lá…
Simples Nacional
É o regime mais conhecido pelas startups nascentes — e também o mais usado no Brasil.
Como funciona:
Você paga vários impostos em uma única guia (DAS), com alíquotas que variam conforme o faturamento e o tipo de atividade.
Na teoria, é simples.
Na prática, tem pegadinhas.
Pontos positivos:
- Burocracia reduzida.
- Custos contábeis menores.
- Boa opção para quem está começando sem muita estrutura.
Pontos de atenção:
- Você paga imposto sobre faturamento, mesmo com prejuízo.
- O famoso Fator R pode jogar a startup em alíquotas muito altas se a folha for pequena.
- Investidor PJ? Sociedade anônima? Sócios no exterior? → O Simples NÃO permite.
- Em muitos casos, acaba ficando tão caro quanto — ou mais caro que — o Lucro Presumido.
É o regime da “economia rápida”. Bom no início, mas com prazo de validade.
Lucro Presumido
Aqui a empresa paga IRPJ e CSLL sobre uma margem de lucro que o governo presume, sem olhar para o resultado real.
Pontos positivos:
- Estrutura mais simples que o Lucro Real.
- Pode ser mais barato que o Simples em diversos modelos SaaS, quando a margem é alta.
- Não tem as mesmas restrições societárias do Simples, permitindo entrada de fundos.
Pontos de atenção:
- Impostos como PIS e Cofins são cumulativos (não geram crédito).
- Você paga imposto sobre um lucro “presumido”, mesmo que seu lucro real seja menor.
- Não é ideal para quem tem margem apertada ou burn rate alto.
Funciona bem para algumas startups de serviços ou tecnologia com margens boas — mas exige cálculo e simulação.
Lucro Real
É o regime mais técnico e detalhado — e também o que dá mais possibilidades para startups que estão crescendo.
Pontos positivos:
- Você paga impostos sobre o lucro real, não sobre faturamento.
- Se houver prejuízo, imposto é zero — e você ainda acumula crédito para o futuro.
- Permite créditos de PIS/COFINS no regime não cumulativo.
- É o regime preferido em due diligence de Série A para cima.
Pontos de atenção:
- Burocracia maior.
- Exige contabilidade extremamente bem estruturada.
- Qualquer erro na apuração vira risco fiscal.
É o regime da “startup que quer jogar em alto nível”.
Dá trabalho? Sim.
Mas abre espaço para economia tributária real e segurança na captação.
Veja também: Como trocar de contador no Lucro Real com segurança
Qual o melhor regime tributário para startups em fase pré-seed
No pré-seed, a startup ainda está validando o produto, testando o mercado e tentando fazer a primeira venda recorrente aparecer. Nesta fase, o caixa é curto, o burn é alto e praticamente não existe estrutura de folha — muitas vezes só os próprios sócios trabalhando.
Por isso, a escolha aqui precisa levar em conta simplicidade, baixo custo e flexibilidade para os primeiros passos.
O regime mais comum no pré-seed: Simples Nacional
Na maioria dos casos, o Simples faz sentido no pré-seed porque:
- é barato operacionalmente;
- exige pouco controle e quase nenhuma burocracia;
- resolve o básico enquanto a startup ainda não tracionou;
- não exige a entrega de obrigações complexas como ECD e ECF.
Se o faturamento anual está abaixo de R$ 4,8 milhões (e geralmente está), o Simples é a porta de entrada natural.
Mas atenção… o Simples também tem “prazo de validade” aqui
E aqui vem um alerta importante — bem no estilo Hugo:
Se você pretende captar investimento nos próximos meses, o Simples pode te atrapalhar.
Por quê?
Porque o Simples proíbe:
- investidor pessoa jurídica entrando no captable;
- sócios estrangeiros;
- modelo societário em S.A.;
- estruturas mais avançadas de governança.
Ou seja:
Se você está em negociação com aceleradoras, fundos ou empresas investidoras, o Simples vira um limitador.
Às vezes, compensa já começar no Lucro Presumido — ou planejar uma mudança antes da captação.
Quando o Lucro Presumido pode ser melhor no pré-seed
O Presumido pode fazer sentido quando:
- o ticket médio é alto, mas ainda há pouca folha;
- a margem é muito boa (caso comum em SaaS);
- a startup já nasce com investidor PJ na estrutura;
- já há plano de captação para os próximos meses.
Ele dá mais liberdade societária e não costuma ser tão caro no início.
E o Lucro Real?
Para pré-seed, quase nunca é recomendado.
Só faz sentido se:
- o modelo de negócio gera prejuízos contábeis altos (startups deep tech, por exemplo);
- há intenção de aproveitar créditos de PIS/COFINS;
- o volume de despesas dedutíveis é muito elevado desde o início.
É raro, mas acontece.
Resumo rápido para o fundador pré-seed
Se você está começando agora: Simples Nacional (até começar a tracionar ou entrar investidor PJ)
Se vai captar em breve, especialmente com fundo: Lucro Presumido
Se é deep tech e já nasce com estrutura complexa: Lucro Real (menos comum, mas possível)
Qual o melhor regime tributário para startups em fase seed
Agora a brincadeira começa a ficar séria.
Na fase seed, a startup já validou o produto, tem receita chegando com mais regularidade e começa a montar time — dev, vendas, CS, marketing… e é justamente aqui que o regime tributário pode mudar completamente o jogo.
O grande ponto é: agora existe folha. E quando existe folha, o Fator R entra em cena e pode transformar o Simples em um ótimo amigo ou em um vilão silencioso.
Vamos por partes.
Quando o Simples ainda faz sentido na fase seed
O Simples pode continuar sendo uma boa escolha se:
- a folha corresponde a pelo menos 28% do faturamento (ativando o Fator R);
- a startup se enquadra no Anexo III, com alíquotas menores;
- ainda não há investidor pessoa jurídica no captable;
- o faturamento não passou de R$ 4,8 milhões/ano.
Nesses casos, o Simples pode ser financeiramente vantajoso e operacionalmente leve.
Mas… se a folha ainda é pequena, cuidado.
Quando o Simples passa a ser caro (e perigoso)
Esse é o alerta que quase ninguém dá:
Se a folha é baixa, a startup cai no Anexo V — e o Simples pode ficar tão caro quanto (ou até mais caro que) o Lucro Presumido.
E pior:
No Simples você paga imposto sobre faturamento, mesmo que o resultado esteja no vermelho — algo comum na fase seed, em que o burn acelera para tracionar.
Além disso:
- ainda há restrições para entrada de investidor PJ;
- a migração de regime feita às pressas pode criar obrigações retroativas;
- captação futura exige contabilidade mais estruturada.
Aqui é onde muitas startups deixam dinheiro na mesa — às vezes R$ 5.000, R$ 10.000 ou R$ 20.000 por mês sem perceber.
Quando o Lucro Presumido é a melhor escolha no seed
Na maioria das startups seed, o Lucro Presumido começa a se tornar uma excelente opção, especialmente quando:
- a startup já tem um time pequeno (folha baixa em relação ao faturamento);
- a margem é alta, como ocorre em SaaS;
- já existe investidor PJ no captable;
- há necessidade de mais previsibilidade para due diligence;
- o Simples caiu no Anexo V.
O Presumido é uma espécie de “meio-termo”:
Mais simples que o Lucro Real, mais flexível que o Simples e, em muitos casos, mais econômico.
Quando o Lucro Real aparece no seed
O Real começa a ser cogitado quando:
- a startup tem prejuízo contábil relevante;
- há muitas despesas dedutíveis;
- o burn rate é alto;
- o volume de créditos possíveis de PIS/COFINS compensa;
- existe planejamento de captação robusto ou auditoria envolvida.
Não é o regime mais comum no seed, mas quando faz sentido, faz MUITA diferença no caixa.
Resumo prático do seed
Se a folha é alta (acima de 28% do faturamento): O Simples pode continuar sendo vantajoso.
Se a folha é baixa e o Simples caiu no Anexo V: Lucro Presumido geralmente é a escolha mais econômica.
Se o burn é alto e há muitas despesas dedutíveis: Lucro Real pode trazer economia e melhorar a governança.
Qual o melhor regime tributário para startups em Série A
Aqui o jogo muda completamente.
Na Série A, a startup deixa de ser apenas um negócio em crescimento e passa a ser uma empresa investida. Isso significa: governança, auditoria, due diligence constante, conselho, captable complexo e metas agressivas.
E é justamente aqui que muitos fundadores descobrem — tarde demais — que o regime tributário escolhido no passado não acompanha mais o nível de exigência atual.
Vamos destrinchar.
Simples Nacional: praticamente fora de questão na Série A
Na Série A, o Simples deixa de ser uma opção viável por três motivos:
- Entrada de investidor PJ → o Simples não permite.
- Limitações societárias → S.A., fundos e sócios estrangeiros não podem.
- Faturamento escalando → o teto de R$ 4,8 milhões fica pequeno.
Na prática:
Qualquer startup que capta Série A com fundo institucional obrigatoriamente sai do Simples.
E quem não sai corre risco de desenquadramento retroativo — com cobrança de impostos, multa e juros.
Por isso o Simples morre antes da rodada.
Lucro Presumido: pode funcionar, mas tem limite
O Lucro Presumido ainda pode ser usado por startups em Série A, desde que:
- tenham boa margem;
- não tenham muitas despesas dedutíveis;
- não operem com burn muito alto;
- não estejam estruturando incentivos fiscais.
O problema é que, conforme a empresa cresce, o Presumido começa a perder eficiência. Ele não considera:
- prejuízos acumulados;
- créditos de PIS/COFINS;
- incentivos fiscais relevantes (Lei do Bem, por exemplo).
Para uma empresa investida, isso representa dinheiro perdido no caixa.
Por isso, muitos fundos já orientam:
“O Presumido funciona… até deixar de funcionar.”
Lucro Real: o regime mais recomendado para Série A
O Lucro Real é, na prática, o regime mais alinhado com empresas em estágio Série A para cima. E por quê?
- Permite compensar prejuízos — fundamental para startups com burn.
- Possibilita créditos de PIS/COFINS — economia real todo mês.
- É o regime que melhor conversa com auditorias e due diligence.
- Permite incentivos fiscais estratégicos (como Lei do Bem).
- Dá mais previsibilidade e governança aos números.
- Evita riscos fiscais em rodadas maiores (Série B, C, etc.).
No fim das contas, a Série A exige maturidade operacional, e o Lucro Real é o regime que sustenta essa evolução sem criar gargalos.
Sim, dá mais trabalho.
Sim, exige contabilidade altamente especializada.
Mas é isso que diferencia uma startup “arrumada” de uma empresa que vira problema na mesa do investidor.
Resumo prático da Série A
Se tem fundo investido: Simples: proibido.
Se tem margem boa, mas operação simples: Lucro Presumido ainda funciona, mas avalie com cuidado.
Se tem burn rate, prejuízos, despesas dedutíveis e metas agressivas: Lucro Real é o recomendado — e, muitas vezes, inevitável.
Como escolher o regime tributário ideal: checklist prático para fundadores

Enfim… depois de entender cada estágio e cada regime, o que o fundador realmente precisa é de um caminho rápido para tomar a decisão certa. Então aqui vai um checklist simples, objetivo e altamente prático — daquele jeito que o Hugo explicaria em uma consultoria.
Use isso como um filtro rápido antes de escolher (ou trocar) o regime tributário da sua startup:
1. Quanto sua startup fatura hoje e quanto vai faturar nos próximos 12 meses?
- Até R$ 4,8 milhões → Simples pode ser opção, mas tem restrições.
- Entre R$ 4,8M e R$ 78M → Presumido ou Real.
- Acima de R$ 78M → obrigatoriamente Lucro Real.
Se o crescimento está acelerado, planeje a migração antes de estourar o limite.
2. Sua startup já tem investidor PJ, sócio estrangeiro ou vai captar em breve?
- Sim → Esqueça o Simples.
- Sim, e quero fazer tudo certo → Presumido ou Real (dependendo da margem).
- Vai captar Série A → A probabilidade é grande de migrar para o Real.
Investidor e Simples não combinam — e isso derruba startup na diligência.
3. Qual o tamanho da folha em relação ao faturamento? (Fator R)
- Folha > 28% → Simples pode ficar barato (Anexo III).
- Folha < 28% → Simples pode ficar caro (Anexo V).
Esse é o ponto que mais derruba startups seed.
4. Sua startup tem margem alta ou trabalha com prejuízo/burn rate pesado?
- Margem alta e pouca despesa dedutível → Presumido funciona bem.
- Margem baixa, prejuízo ou burn alto → Lucro Real economiza, e muito.
Startups em tração geralmente queimam caixa — e pagar imposto sobre faturamento machuca o caixa.
5. Quanto de complexidade fiscal você consegue operar hoje?
- Pouca estrutura → Simples ou Presumido.
- Estrutura mais madura / CFO / BPO → Lucro Real faz sentido.
Governança não é luxo. Na Série A, é exigência.
6. Sua startup pretende usar incentivos fiscais (ex.: Lei do Bem)?
- Se a resposta for sim, você precisa de Lucro Real.
- Se for não, o Presumido pode continuar funcionando.
Muitas startups perdem dinheiro simplesmente porque nunca foram orientadas sobre isso.
Resumo final do checklist
Se está começando → Simples
Se está tracionando com margem boa → Presumido
Se está crescendo com burn alto ou captando Série A → Lucro Real
Simples, direto e sem mistério.
Veja também: BPO Financeiro para Startups: como ganhar controle e escalar com eficiência
Conclusão: qual o melhor regime tributário para sua startup?
Basicamente… não existe um único regime tributário ideal para todas as startups.
O que existe é o regime certo para o momento certo.
- No pré-seed, você precisa de simplicidade para validar o produto.
- No seed, a folha e o Fator R começam a mexer nas contas.
- Na Série A, entram investidor, governança e due diligence — e o jogo muda completamente.
O maior erro que vemos no mercado é o fundador manter um regime por comodidade, sem revisar números, estrutura societária, margens e projeções. Esse descuido custa imposto a mais, limita captação e cria riscos fiscais enormes lá na frente.
E é aqui que entra a importância de ter uma contabilidade que entende startup, entende SaaS, entende burn, entende captable — e não trata você como uma empresa tradicional.
Enfim… a escolha do regime tributário não é só sobre pagar menos imposto.
É sobre preparar sua startup para crescer com segurança, sem surpresas no meio do caminho.
Quer avaliar qual regime é o ideal para a sua startup? A JRX te ajuda.
Se você está no pré-seed, seed ou entrando na Série A e quer uma análise clara, rápida e sem juridiquês, a JRX pode te mostrar exatamente:
- qual regime faz mais sentido agora,
- quanto sua startup pode economizar,
- e o que precisa ser ajustado antes da próxima rodada.
É só chamar. Vamos destravar o crescimento da sua startup com organização, clareza e estratégia — sem sustos fiscais no meio do caminho.





