Quanto uma empresa paga de impostos no Brasil, em 2026, não tem uma resposta única. Depende do regime tributário, da atividade, do faturamento, da margem e da folha.
A novidade é que 2026 já entra no radar da Reforma Tributária do consumo.
É o ano de ajustes e testes do novo modelo (CBS e IBS), enquanto o sistema atual ainda segue valendo na prática.
Neste conteúdo, eu vou te mostrar quais impostos entram na conta, como organizar isso por blocos (consumo, lucro e folha) e o que muda no caminho até 2033.
Bora entender isso do jeito simples — porque imposto mal entendido vira custo escondido.
Quais impostos uma empresa paga?
A maioria dos impostos que uma empresa sente no dia a dia cai em três grupos: os que estão na venda, os que vêm do lucro e os ligados à folha.
1) Impostos sobre consumo (os que vão junto da venda)
Aqui entram os tributos ligados à venda de produto ou serviço:
- ICMS (mais comum no comércio e indústria, estadual)
- ISS (serviços, municipal)
- PIS e Cofins (federais, sobre a receita)
Esse bloco costuma aparecer “embutido” no preço.
E é justamente ele que vai ser reorganizado pela Reforma no consumo.
2) Impostos sobre lucro (quando a empresa tem resultado)
Aqui entram:
- IRPJ
- CSLL
No Lucro Real, a conta acompanha o lucro apurado.
No Lucro Presumido, o lucro é estimado por presunção conforme a atividade.
3) Impostos sobre folha (quando tem equipe)
Esse bloco pesa na operação e varia conforme regime e estrutura:
- INSS patronal / CPP (conforme o regime)
- Encargos trabalhistas e obrigações (não são “imposto”, mas pesam no custo do mesmo jeito)
Empresa com folha alta sente isso forte.
Empresa com folha enxuta tende a sentir mais a carga no consumo ou no lucro.
Veja também: Como calcular preço de venda: markup e margem de contribuição
Reforma Tributária: o que já começou no consumo (CBS e IBS em fase de testes)
A Reforma Tributária que está em andamento mexe principalmente nos impostos sobre consumo.
Ou seja: aqueles que estão ligados à venda e acabam aparecendo no preço do produto ou do serviço.
O que muda no “mapa” do consumo
O modelo novo troca vários tributos por um formato mais simples, tipo um IVA (imposto sobre valor agregado), dividido em duas partes:
- CBS (federal): entra no lugar de PIS e Cofins
- IBS (estadual/municipal): entra no lugar de ICMS e ISS
- E ainda existe o Imposto Seletivo, para itens específicos (a ideia é desestimular consumo de bens/serviços nocivos)
O que significa “fase de testes”
O ano de teste serve pra uma coisa bem prática: empresa e governo ajustarem o operacional.
Na vida real, isso envolve:
- sistema de gestão/ERP
- emissão de documento fiscal
- parametrizações de cadastro (produto, serviço, NCM, operação)
- conferência de cálculo e destaque
Ou seja: não é “só teoria”.
É o tipo de mudança que, se você não organiza, vira bagunça no faturamento.
Por que isso importa mesmo antes da virada completa
Porque consumo mexe em duas coisas que doem rápido:
- formação de preço (se muda o imposto, muda o preço ou a margem)
- crédito ao longo da cadeia (principalmente em operações B2B)
E é exatamente por isso que as empresas mais organizadas começam a olhar isso cedo:
pra não descobrir no susto quando o modelo virar de vez.
Quando isso começa a valer? Cronograma da transição até 2033
Aqui a regra é simples: não muda tudo de uma vez. O Brasil vai rodar dois sistemas ao mesmo tempo por alguns anos, até a virada completa.
2026: fase de testes (o “ano pedagógico”)
Entra a alíquota simbólica para validar o modelo e ajustar sistemas.
Na prática, aparece com destaque de 0,9% (CBS) e 0,1% (IBS).
A Receita também fala em período educativo, com foco em adaptação operacional.
2027: começa a valer “pra valer” no federal
A CBS passa a substituir PIS/Cofins.
E o Imposto Seletivo entra em vigor.
2029 a 2032: transição gradual do ICMS/ISS para o IBS
É o período em que ICMS e ISS vão perdendo espaço e o IBS vai ganhando.
2033: modelo novo completo
A expectativa é chegar com o novo sistema consolidado no consumo: CBS + IBS + Seletivo, e ICMS/ISS totalmente substituídos no desenho final.
A alíquota vai ser quanto?
Essa é a pergunta que todo mundo faz: “vai ser 27%, 28%… quanto?”.
O ponto é que existe uma alíquota padrão de referência, mas ela não vira a alíquota real de tudo.
O que já existe de número “oficial” (estimativa)
O Ministério da Fazenda publicou nota técnica estimando uma alíquota-padrão de 26,47% para o IVA do consumo (IBS + CBS), com intervalo aproximado entre 25,65% e 27,29% em um cenário que já considera regimes diferenciados e cashback.
Isso é estimativa técnica, não “alíquota final cravada”.
A alíquota efetiva depende do desenho completo e de como as exceções/regimes ficam na prática.
Por que nem todo mundo vai pagar igual
Porque o novo modelo prevê tratamentos diferentes para alguns bens e serviços, como:
- redução de alíquota em categorias específicas
- alíquota zero em itens definidos em lei
- regimes específicos/diferenciados (com regras próprias)
Além disso, existe o cashback (devolução de parte do IBS/CBS para famílias de baixa renda), que também influencia a conta “macro” da alíquota de referência.
E na prática, o que muda para a empresa?
O IVA (IBS/CBS) foi desenhado para funcionar com crédito ao longo da cadeia.
Então, uma empresa que compra muito insumo/serviço tributado e vende para outras empresas (B2B) tende a “sentir” isso de um jeito diferente de quem vende direto para o consumidor final (B2C).
Ou seja: a pergunta correta não é só “qual a alíquota?”.
É “qual é o impacto no meu preço, na minha margem e no meu crédito?”.
Veja também: Como organizar o financeiro da empresa: guia simples para começar do zero
Simples Nacional e MEI: como fica?
Essa é a dúvida campeã: “o Simples vai acabar?”
Não. Simples e MEI continuam existindo.
O que muda é que a Reforma abre a possibilidade de, em alguns casos, o optante do Simples recolher IBS/CBS fora do DAS (no regime regular) para funcionar melhor no jogo de créditos. Muita gente chama isso de “Simples híbrido”.
Por que isso existe?
Porque o novo IBS/CBS foi desenhado com lógica de crédito ao longo da cadeia.
Então, quando uma empresa vende para outra empresa (B2B), o cliente costuma querer:
- documento fiscal bem parametrizado
- crédito aproveitável na compra
Se o seu cliente consegue crédito, você fica mais competitivo.
Se não consegue, pode virar “custo” pra ele — e ele pressiona seu preço.
Quando pode fazer sentido (exemplos bem práticos)
Tende a fazer mais sentido quando você é Simples e vende muito para empresas, como:
- prestação de serviços B2B (consultoria, tecnologia, manutenção, agências)
- indústria/comércio que fornece para outras empresas (atacado, insumos, componentes)
Aqui, a conversa costuma ser: “se eu permitir crédito pro meu cliente, eu vendo melhor e preservo margem”.
Tende a fazer menos sentido quando você vende principalmente para consumidor final (B2C), tipo:
- varejo direto ao consumidor
- serviços de pessoa física (salão, estética, pequenos atendimentos)
Porque o consumidor final não usa crédito.
A briga aí é mais preço, experiência e eficiência.
O cuidado que você precisa ter (pra não cair em cilada)
Essa decisão não é “modinha”, é conta.
Antes de optar por recolher IBS/CBS por fora, você precisa olhar:
- seu mix de clientes (quanto é B2B vs B2C)
- seu perfil de custos e compras (se você teria crédito relevante)
- impacto no preço e na margem
- obrigações e ajustes operacionais (sistema, fiscal, emissão)
Em resumo: pode ser vantagem, mas pode ser dor de cabeça se for feito sem simulação.
Conclusão: como saber quanto sua empresa paga
No fim do dia, “quanto uma empresa paga de impostos” não é um número pronto.
É a soma do que pesa na venda, no lucro e na folha.
Com a Reforma Tributária, o jogo do consumo muda de forma gradual.
E quem se antecipa agora evita erro de cadastro, nota rejeitada, preço errado e margem sumindo.
O que fazer na prática
- Separe seus impostos por bloco: consumo, lucro, folha
- Revise cadastro fiscal e regras de emissão (produto/serviço, NCM/tributação)
- Simule impacto em preço e margem (principalmente se você vende B2B)
- Se for Simples, avalie com calma se faz sentido o modelo “por fora” do IBS/CBS
Se você quiser fazer isso com segurança, o melhor caminho é olhar seus números com método.
Aí entram dois apoios naturais:
- BPO Financeiro: organizar base, relatórios e rotina (sem bagunça)
- CFO as a Service: simular cenários, entender impacto real e decidir com visão de dono





